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Energia a partir da queima do lixo
 
 
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JornaL Meio Ambiente

Por Diogo Silva

A prefeitura de São Bernardo, cidade da Grande São Paulo, lançou um edital de licitação para a instalação de uma usina termelétrica movida a lixo. A estimativa de geração de energia é de 26 a 30 MW/h, o suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes. A usina deve estar em funcionamento até 2015.

A ideia da construção de uma usina para a geração de energia a partir do lixo surgiu no período entre 2009 e 2010, quando o município, em atendimento à Lei Federal do Saneamento Básico, elaborou o Plano Municipal de Saneamento. “O Plano Municipal apontou a necessidade de reestruturação do sistema de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, com a implantação de programas de minimização como a coleta seletiva, de gestão de resíduos de construção civil e um novo sistema de valorização dos resíduos”, diz Tarcísio Secoli, secretário da Coordenação Governamental da cidade de São Bernardo. A proposta também foi debatida com a população por meio da 1ª Conferência Municipal de Saneamento.

A área do antigo Lixão do Alvarenga será recuperada e servirá de base para a instalação da nova usina. O seu funcionamento se dará pela queima do lixo em fornos, que gera pressão e move turbinas. Esse movimento, então, é transformado em energia elétrica. A instalação de filtros permite que os gases poluentes sejam retidos e apenas vapor seja emitido para a atmosfera. “A intenção é que se tenha a diminuição da dependência dos aterros e dos impactos ambientais dessa atividade”, observa Secoli.

Para a gerente do núcleo de Energia Térmica e Fontes Alternativas da consultoria Andrade & Canellas, Monica Rodrigues de Souza, a instalação desse tipo de usina é um ponto positivo para meio ambiente. “O principal benefício trazido pela implantação de usinas desse tipo é a redução das áreas ocupadas por aterros e riscos ambientais associados, como a contaminação de lençóis freáticos por chorume, por exemplo”, diz Monica.


Projeto Piloto - A queima de resíduos para a geração de energia vem sendo estudada em uma usina piloto desenvolvida por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo o pesquisador da COPPE/UFRJ Luciano Basto, esse trabalho iniciou após um grupo empresarial procurar a COPPE em 2001 para realizar testes de uma tecnologia de tratamento térmico de resíduos que emitisse gases dentro do padrão da legislação. “Com a elevada temperatura obtida, a significativa oferta de lixo e o racionamento [energético] que vivíamos, houve consenso sobre a oportunidade de converter o projeto em uma usina termelétrica movida à lixo”, explica Basto.

Até o momento, a unidade foi utilizada para comprovar a tecnologia de tratamento de gases, de neutralização da água e de incineração, além de testar os parâmetros para resíduos industriais. “O grupo empresarial que procurou a COPPE/UFRJ manifestou o compromisso de integrar um grupo de trabalho para viabilizar o atendimento de, ao menos, uma parte da eletricidade consumida pela UFRJ”, diz o pesquisador da COPPE/UFRJ.

Incentivos – “Apesar dos custos elevados do processo, há espaço para produção de energia a partir do lixo no Brasil, principalmente em áreas onde não é possível implantar outras soluções, como em locais com restrições para a implantação de aterros”, observa a gerente da Andrade & Canellas. “Para incentivar o desenvolvimento de projetos desse tipo é preciso uma combinação de volume elevado de lixo, isenções fiscais e compra de energia a preços maiores”, completa. Opinião compartilhada por Guilherme Mattos, gerente comercial da Guascor Power no Brasil, empresa de equipamentos e soluções energéticas. “Os principais obstáculos nessa área são a falta de linhas de financiamentos por bancos de fomento para projetos desta natureza e a grande carga tributária que incide sobre os equipamentos utilizados nas usinas”, diz Mattos.

Para o pesquisador Luciano Basto, a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual fica estabelecido que não pode haver lixões a partir de 2014 e o uso da identificação do potencial brasileiro de instalação de 500 usinas como moeda de barganha para reduzir custos das tecnologias e exigir a instalação de fábricas de seus componentes no país são alguns dos fatores que devem incentivar a implantação desse tipo de usina no país. “Devem ser estimuladas todas as alternativas tecnológicas que consigam converter o lixo em algo útil e que sejam viáveis perante as condições nacionais”, diz Basto.


Pelo Mundo – De acordo com dados da Confederação Européia das Usinas de Energia a partir do Lixo (CEWEP), o país que mais possui usinas desse tipo é a França, com 129 unidades, seguida pela Alemanha (69), Itália (41), Suécia (30), Suíça e Dinamarca (29). A China e o Japão também vêm investindo nessa tecnologia e possuem, respectivamente, 50 e 10 usinas em seus territórios. Uma matéria publicada pelo jornal The New York Times indica que os Estados Unidos possuem 87 usinas de geração de energia a partir do lixo e chama a atenção para o fato de que os países que mais investem nessa tecnologia também possuem as mais altas taxas de reciclagem, o que indica que a queima de lixo para a produção de energia não representa um fator que desestimule a coleta seletiva de resíduos.

 

Fonte: Jornal Meio Ambiente (JMA)








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