UNIDADE DE PRODUÇÃO DE INIMIGOS NATURAIS (UPIN) EM SERGIPE
Objetivo
Desenvolver e aplicar técnicas de monitoramento e controle biológico de pragas, treinamento e formação de recursos humanos e defesa fitossanitária, por meio da inovação tecnológica e do gerenciamento eficiente.
A UPIN
A instalação de Biofábricas para produção de insetos predadores ou parasitóides e microrganismos entomopatogênicos (fungos, vírus ou bactérias) é uma realidade no Brasil e expande-se sobre a ótica da preservação do meio ambiente e da redução do uso de inseticidas químicos na agricultura. Nessa perspectiva, nasceu a idéia da Unidade de Produção de Inimigos Naturais - UPIN, assim denominada por considerar em um sistema agrícola os mencionados insetos e microrganismos como inimigos naturais das pragas agrícolas e florestais. A proposta da UPIN que tem o apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Governo do Estado de Sergipe no valor de R$ 1.380.916,31, é uma novidade local e tem tudo para dar certo. O projeto contempla além da UPIN um laboratório, coordenado pela pesquisa da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), com objetivo de dar o suporte de pesquisa e de controle de qualidade aos produtos gerados pela Unidade de produção. Ambos serão instalados no SergipeTec, ocupando uma área de aproximadamente 600m2. Tratando-se de uma unidade piloto a UPIN deverá produzir durante os primeiros anos 100t de fungos entomopatogênicos. Fortaleceu a idéia do projeto a tradição no estado de trabalhos com fungos entomopatogênicos para controle de pragas das culturas do citros e do coco, desenvolvidos pela Emdagro e Embrapa Tabuleiros Costeiros. Pretende-se, com o funcionamento da UPIN, ampliar esse espectro, atendendo também demandas de outras culturas em fruticultura, floricultura, pastagem e, especialmente, em cana-de-açúcar. Nos canaviais paulistas foram aplicados entre os anos de 2006/2007 cerca de 1.750t de fungos da espécie Metarhizium anisopliae para o controle do complexo de cigarrinhas dessa cultura. Produtos à base desse fungo representam 55% dos produtos comercialmente disponíveis ou em processo de registro, seguido por Beauveria bassiana (30,0%), Lecanicillium spp. (7,5%) e Sporothrix insectorum (7,5%). Atualmente, o cultivo de cana-de-açúcar em Sergipe é crescente e impulsionado pela produção de biocombustíveis, segundo dados do IBGE a área plantada com cana cresceu 54% entre 2004/2008. A semelhança dos canaviais paulistas e de outros estados do nordeste, a utilização de fungos para o controle biológico de pragas dessa cultura já é também tradicional no Estado. Para citros, principal agronegócio sergipano, estima-se um consumo anual de aproximadamente 70t de fungo entomopatogênico para o controle da ortézia e do ácaro da ferrugem dos citros.
Interação com Universidade na Formação de Recursos Humanos
Além da atividade de produção de organismos biológicos caberá a UPIN em associação com o Laboratório de Pesquisa ações de treinamento, formação de recursos humanos e defesa fitossanitária. Os trabalhos de pesquisa da UPIN e do laboratório serão consolidados à medida que houver uma interação e participação com centros de pesquisa e dos cursos de graduação e pós-graduação de instituições de ensino do Estado. Será uma infra-estrutura moderna e equipada, disponível para trabalhos associados com os cursos em uma efetiva troca e produção do conhecimento. A participação e a formação dos alunos de graduação e pós-graduação nas linhas de pesquisa desenvolvidas no Laboratório e aplicadas na UPIN e no setor agrícola do Estado garantirão o fluxo continuo das atividades e uma real contribuição na geração de trabalhos científicos e solução de demandas da área produtora.
Treinamento e Defesa Fitossanitária
Destaca-se também a participação do laboratório de pesquisa e da UPIN no treinamento e capacitação destinados a atualização de técnicos que atuam na defesa fitossanitária do Estado, através de cursos de monitoramento e controle de pragas e desenvolvimento conjunto de programas de prevenção e supressão de focos emergentes de pragas quarentenárias.
Espera-se que a UPIN seja uma empresa inovadora no setor agrícola, capaz de desenvolver técnicas modernas, aplicadas e eficientes de controle biológico de pragas e que possa contribuir de forma efetiva com o agronegócio sergipano.